"Qual é o parasita mais resistente? Uma bactéria? Um vírus? Não. Uma idéia! Resistente e altamente contagiosa. Uma vez que uma idéia se apodera da mente, é quase impossível erradicá-la. Uma idéia que é totalmente formada e compreendida, permanece.” (A Origem)
Então, foi assim que tudo isso começou. Toda essa confusão na minha cabeça – sim, mais uma de muitas – surgiu a partir de uma ideiazinha escondida em alguma parte do meu cérebro. Essa caraminhola na minha cabeça, como dizem as mães, chegou sutilmente e foi se apoderando dos meus pensamentos até que chegou alguém e disse: “Vai fundo! Tu tens algo a perder? Não, né?”
E foi aí que eu decidi levar a idéia a cabo. E até agora não consegui decidir se isso foi algo inteligente ou não a se fazer. Não consigo nem decidir se foi bom ou ruim. E lá estou eu de novo: em cima do muro, na linha tênue entre uma coisa e outra. E tem sido tudo assim: ou oito ou oitenta; ou isto ou aquilo; uma bifurcação. Qualquer dia desses vou começar a fazer unidunitê na hora de escolher porque o tempo que eu gasto pensando nos prós e contras das minhas opções podia ser muito melhor despendido. Além disso, não é como se eu fosse realmente boa em colocar as coisas na balança. Na verdade, eu sempre tive uma tendência a ir para o lado contrário, por decidir o que eu não devia ter decidido. É aí que se baseiam as minhas esperanças de um final feliz: a partir do unidunitê.
Ok, estou exagerando. É só que parece que eu estou indo pelo que eu conheço, na hora de escolher o que fazer. E parece que repetindo meus atos eu volto para aquela história de que eu sei o rumo que as coisas vão tomar e eu tenho muito, mas muito medo de que, no fim, tudo acabe igual a como já acabou uma vez. Eu já disse aqui uma vez que eu queria que tudo se repetisse e no fundo eu queria, mas acho que eu aprendi que mereço um pouco mais.
O problema é que eu acho que não tenho coragem de ir atrás desse ‘mais’. Não sei nem se eu tenho o empenho. Eu sou tão preguiçosa (sim, eu sei que ficar sentada esperando que as coisas melhorem é inútil, mas é que, creiam-me, já fui atrás do que eu queria inúmeras vezes, totalmente decidida, e acabei quebrando a cara. Estive pensando se dessa vez eu talvez devesse me empenhar em evitar maiores sentimentos – e sofrimentos – esperando que as coisas se ajeitem por si só).
Aí surge outro conflito: o tempo. Estou tentando colocar meus pensamentos em ordem, só que é difícil fazer meu cérebro parar ou diminuir o ritmo mesmo que por uns míseros minutos e quando eu percebo um pensamento se chocou com o outro e deles eclodiu outra idéia e então me perco toda. E não tenho mais me achado nesses encontros de sinapses. E ultimamente existe algo que me desconcentra e desconserta: um tic-tac atormentador que não para de soar em algum lugar e parece se aproximar cada vez mais.
E a cada tic uma pergunta. A cada tac outro questionamento. E as respostas vão vindo desordenadamente e ah! Como eu queria que elas fossem disciplinadas. Eu acabo vendo-as passar em uma corrida frenética e elas parecem só um borrão. Nenhuma me parece nítida ou correta e quando elas terminam o seu desfile eu fico naquele vazio – meu velho conhecido – devastada, enxergando em volta os pontos de interrogação, bem mais calmos do que minhas respostas, bem mais seguros deles mesmos.
E o tic-tac continua ali. E dessa vez ele me mostra que eu tenho que me apressar e que se eu não conseguir agarrar algumas respostas eu vou perder todo o meu tempo ali, sozinha, sem saber o que fazer. E quando os tics já foram muitos e os tacs também se fizeram incontáveis, eu fico com medo de olhar para trás e assistir o que eu fiz enquanto estive ali: nada.
Eu passo tanto tempo mergulhada em mim, ou melhor, mergulhada no que eu acredito que sou e devo ser, que não percebi que, tudo o que fiz até agora não me define. Talvez me defina para os outros, mas não para mim mesma.
E foram tantos tics e tacs que passaram enquanto eu corria atrás de algo, em busca de uma linha de chegada que não sei ao certo onde fica que parece que agora nunca vou encontrar o caminho de volta para que eu possa cumprir todas as promessas que fiz para mim mesma no caminho – promessas de que depois de tudo, eu voltaria para cuidar de mim.
Estou em falta comigo. Eu não tenho tido a mim mesma porque eu, de certa forma, não suporto minha companhia. Eu não consigo me ouvir nem tentar me compreender e aí eu me ocupo. Enquanto parte de mim vê as perguntas e deixa as respostas passarem, a outra parte se ocupa em esquecer que aquela existe; ela se ocupa em fazer tudo que aquela outra cisma em tentar entender. E eu vou correndo, e eu vivo com pressa. O tic-tac para essa parte é bem mais presente porque é ela quem vive aqui fora. É ela quem percebe que existe muito mais ao redor de mim.
Agora tenho tentado lidar com o fato de que a Daniela de fora talvez não esteja fazendo seu trabalho corretamente. Ela não está aproveitando tudo o que é oferecido a ela e então a Daniela de dentro tem berrado todo o tempo com a de fora: POR QUÊ? Mas não é a Daniela de fora a responsável por encontrar as respostas e a Daniela de dentro também não é boa nisso.
A verdade é que as duas têm medo de olhar para trás, e para frente também. Nenhuma delas está preparada para perceber que se deixou tanto de lado no caminho até aqui, assim como nenhuma delas está preparada para o quanto provavelmente vai continuar se deixando de lado daqui para frente e, além disso, elas não sabem até onde precisam chegar – ou onde querem chegar. Elas nem ao menos sabem se querem mesmo continuar agindo da forma que têm agido.
E no meio disso tudo tem aquela procura por não estar sozinha. Uma não gosta da outra. Eu não gosto das duas, eu que sou uma fundida na outra.
E voltamos à idéia que me trouxe até aqui. Porque sempre tem alguém do mundo externo que me confunde. Alguém que gruda na minha confusão e me faz de perdida a encontrada e então faz eu me perder de novo numa falta de algo que eu nem tenho. Porque parece que para provar para mim mesma que sou capaz de me dar um pouco de atenção eu me grudo em coisas que já existiram e que estão ali de novo, acenando, se fazendo presentes, e eu não consigo virar as costas para elas. Eu não consigo simplesmente dizer: olha, eu superei, sou mais eu agora. Porque eu não sou. Eu nem sei quem é esse eu de quem tenho falado desde o primeiro parágrafo.
Então é isso. Quando dei por mim e aquele vazio se fez insuportável e vi que minhas lágrimas não matavam a minha sede no caminho que fiz até aqui, como eu disse uma vez, eu dei vazão àquela idéia. Ela se apoderou de mim e quando percebi, eu já tinha escolhido o mesmo caminho de tempos atrás e dali em diante eu fiquei com medo de tomar a outra direção e tenho seguido aquele velho itinerário mesmo sabendo que não vou chegar a lugar algum.
E é ridículo admitir que eu me contento com a companhia no caminho e que se no fim eu ficar a esmo, valeu a pena o caminho que tomei por ter tido alguém ao meu lado, mesmo que não plenamente. Porque é assim que, assustadoramente, as duas partes de mim têm se mostrado. A externa, que não consegue mais aproveitar tudo o que tem ao seu redor por estar muito ocupada querendo a dita companhia e a interna, que agora só se pergunta se a companhia já se foi.
E sim, eu me sinto patética por saber que tudo em mim clama pela atenção de alguém, e alguém tão conhecido, alguém tão não-indicado.
E eu passo o dia inteiro assim, querendo me enxergar de outra forma, mas isso é tudo o que vejo. E, como sempre, eu estou assustada porque os dias passam correndo e eu estou aqui, sentada, escrevendo esse texto e tentando exprimir em palavras o que eu sinto e o que eu entendo de mim – e o que eu entendo é tão pouco...
E, na minha confusão, eu decido que não sei decidir e nesses paradoxos eu espero aprender a lidar com o tempo soprando nos meus ouvidos e me mostrando que mais um dia que passou é menos um dia que eu tenho para tentar me fazer entrar nos eixos, tentar colocar minha vida nos eixos, tentar encontrar um ponto de ancoragem porque nas minhas idéias eu não me apóio mais.
em primeiro lugar: adorei o título :D
ResponderExcluire agora.. essas idéias. são tantas e tantas, que as vezes pensamos que nõa temos nenhuma. Mas elas estão sempre ali, e quando agimos não nos damos conta que é por causa delas. danadinhas.
e esse tempo? já faz tempo que o tempo me intriga, tira meu sono, Faz tempo que o tempo me persegue, Faz tempo que eu me questiono "que diabos eu to fazendo com meu tempo?" e "quendo esse maldito tempo começou a passar tão rápido"????
enfim.. e esse linah de chegada? Cada vez que completamos um etapa a linha vai se movendo pra mais longe.. cada vez mais distante. Não se se algum dia vamos alcança-la realmente, nem sei se alguém no mundo já conseguiu alcança-la. Mas no fundo, somos nós que medimos a dist6ancia, nós que afastamos a linha da gente. Meu medo é olhar pra trás e perceber que pit stops teriam valido mais a pena que a linha de chegada (q nõa chega nunca).
Então né.. mais uma vez amei seu texto (novidade) :*******
ps. devo ter escrito tudo errado, não repara