domingo, 9 de janeiro de 2011

Summer Soul Festival Florianópolis (a Amy Winehouse é, sim, uma fofa.)

A cantora britânica Amy Winehouse durante show nesta madrugada no Stage Music Park, em Florianópolis Leia Mais


Conheci a Amy Winehouse por volta dos meus 13, 14 anos de idade, pouco depois de o disco Frank ter sido lançado. A criança de 14 anos que eu era, super empolgada com o novo computador e com a idéia de baixar músicas, foi fazendo downloads de vários cantores escrevendo palavras aleatórios e escolhendo as músicas pelos títulos.

Confesso que não lembro exatamente qual foi a música da Amy que eu baixei, talvez tenha sido “You Sent Me Flying” ou “I Heard Love is Blind” ou “Stronger Than Me”, visto que como eu disse, eu tinha 14 anos, estava com os hormônios à flor da pele e colecionava uma boa quantidade de sentimentos confusos com relação aos homens (sim. já.). Só sei que as letras me encantaram e as melodias me deixavam admirada porque eram diferentes de tudo o que eu já tinha ouvido. Acho que era uma das primeiras vezes que eu ouvia músicas boas de verdade. E foi aí que começou minha paixão pela Amy.

Comecei a passar as músicas dela para várias pessoas de 14 anos de idade porque eu realmente acreditava que eu poderia fazer com que elas também admirassem música de qualidade. Eu lembro que ficava chocada toda vez que alguém me dizia que as letras eram legais e/ou as melodias eram boas, mas, pasmem, a voz dela era ‘enjoada’ ou ‘chata’. Acho que só duas começaram a gostar de Amy também, uma das quais foi comigo ao Summer Soul Festival ontem.

É bom que eu não tenha tido o típico comportamento “Maria-vai-com-as-outras” dos adolesentes e tenha continuado a ouvir Amy Winehouse porque foi com imenso prazer que falei ‘Sou fã dela há tempos’ quando a vi estourar com o álbum Back to Black.

E em meio às inúmeras repetições das músicas dela no meu music player, e em meio às inúmeras vezes que a minha mãe ou qualquer outra pessoa dizia não entender ‘porque eu gosto tanto dessa mulher’, e em meio a todos os momentos tensos em que a Amy teve problemas amorosos, problemas com álcool e drogas, problemas com  a justiça e tudo o mais, eu sempre dizia: eu ainda vou a um show dela.

E eis que, aos meus 21 anos, depois de ter chorado inúmeras vezes ao som de Back To Black, Just Friends e Will You Still Love Me Tomorrow? entre outras, algo inédito acontece: Amy Winehouse vai fazer um show em Florianópolis. Assim que ouvi as palavras incríveis da minha mãe: ‘aquela maluca drogada que tu gosta vai fazer um show aqui né? A Rauni, Rauyniwise’, eu sabia que eu estaria na platéia desse show.

Voei para o meu celular e intimei minhas amigas, também fãs, a irem comigo.  E eu sei que depois de todos esses parágrafos vocês devem estar pensando que eu fui uma das primeiras pessoas a comprar ingresso no LivePass assim que eles começaram a ser vendidos. Mas não: a pessoa aqui não tinha tempo e estava adquirindo quase outra úlcera com a idéia de que os ingressos poderiam terminar a qualquer momento e eu não tinha uma mísera hora livre para poder ir comprá-los. Enfim, depois de muita agonia e cambalhotas no estômago de aflição, lá estava eu, bela e formosa (não) com a minha meia entrada do quinto lote (estudante pobre, oi) para o Summer Soul Festival.

E obviamente, a adolescente dentro de mim fez contagem regressiva, ouviu a playlist da Amy 15 mil vezes durante o mês de dezembro inteiro e cantou a plenos pulmões todo dia em que chegava em casa empolgada depois do serviço.

Ontem, eu nem acreditava que tinha chegado o grande dia. Acho que só comecei a acreditar mesmo quando entrei no Stage Music Park e vi o palco. E aí foi vindo aquela ansiedade. Sabe quando tu sentes a adrenalina correndo pelas tuas veias e aquela sensação doida de que tu não podes ficar no lugar que está, que tu precisas pular, correr, fazer qualquer coisa que te liberte porque tem tanta empolgação dentro de ti que tu tens que dar um jeito de dar vazão a ela?

Era assim que eu estava me sentindo.

O show do Mayer foi o primeiro e, por mais que eu não conhecesse o trabalho dele, fiquei encantada com o estilo nerd e a voz macia que ele tem. E também ri muito com as exclamações de ‘Quero levar ele em um potinho para a minha casaaa’ de uma menina-de-Cuiabá-que-morava-em-Rondônia-chamada-Luana (Luana, sei que a probabilidade de tu leres isso é de 0%, mas mesmo assim, quero só deixar registrado aqui que gostei de graça de ti e do Mateus. Super companhias de show. Espero esbarrar de novo com vocês aqui em Floripa)

Depois do Mayer a ansiedade ficou ainda maior porque eu tinha um pouco de noção de que o trabalho da Janelle é muito bom. Por sorte tenho uma amiga super in no mundo da música – a Marih, que foi comigo ao show (Obrigada pela companhia, amigaaa) – e que foi atrás das músicas da Janelle e me mostrou vídeos que me deixaram encantada com o que a garota pode fazer com a voz e os pés. O show dela é incrível. A entrada dela é espetacular, assim como a performance e, principalmente, a voz dela. As músicas são ótimas e algumas delas são realmente empolgantes. Cheguei a dançar e, sério, isso é algo que eu geralmente pago para não fazer.


E então chegou o momento tão esperado. Eles começaram a montar os instrumentos da banda da Amy e quando o Zalon falou: Hello Floripa! Introducing: Ladies and Gentlemen, this is AMY WINEHOUSE, eu juro que eu quase desmaiei de emoção. E então ela entrou toda pulante com um vestido cor de rosa e fez aquela introdução à La Amy, jogando o chiclete para a platéia (sim, eu queria ter aquele chiclete).

Ela abriu o show com Just Friends, dançando daquele jeito tímido e único dela, enquanto todos cantavam junto. Depois ela cantou Back to Black e as pessoas cantaram ainda mais alto. Eu sei que ela podia ter começado com outras músicas que teriam animado mais a galera, como Rehab (que está longe de ser uma das minhas favoritas, mas que todo mundo ama e sabe cantar), mas hoje quando parei para pensar eu achei tudo perfeito. Não que não pudesse ter sido melhor - tudo sempre pode ser melhor – mas eu amei do jeito que foi. Fiquei sim, meio inconformada de não ter ouvido Fuck me Pumps e Stronger Than Me, mas é o primeiro show dela depois de dois anos e eu fico muito, mas muito contente de eu ter visto ela cantar tantas outras músicas que eu amo e a tão pouca distância de mim. Confesso que não lembro exatamente o set list porque na empolgação do momento eu só conseguia prestar atenção nela e cantar.

Uma coisa que me encantou foi o jeito meigo dela. Eu já sabia que ela sempre apresentava alguns sinais de timidez no palco e que ela e a banda se dão muito bem, mas acho que o fato de ela estar bebendo água intensificou isso. Não que ela estivesse super tímida, mas deu para notar que ela foi ficando mais à vontade ao longo do show. O jeito de agir dela o tempo todo foi muito bonitinho e isso não sou só eu que estou dizendo. Havia muitas pessoas à minha volta que concordavam. Ouvi inúmeras vezes exclamações de “Como ela está bem!”; “Ela está tão sorridente”; “Que fofa que ela está”.

Ela não conseguia ler o setlist então toda vez ela ia falar com o pessoal da banda e dava de sentir o quanto eles gostavam dela e o quanto eles se davam bem. E ela anda de um jeito todo pulante que é muito engraçadinho. Eu e as meninas perto de mim concordamos que é de um jeito que ‘Dá vontade de abraçá-la.’

“Do you want to know the band?”, ela perguntou com aquele sotaque britânico lindo de morrer, em certo momento do show, e ela dava voltinhas quando apresentava os garotos da banda.  A parte dos solos foi incrível.

Foi engraçado ela se atrapalhando enquanto cantava e tentava abrir a água e foi muito legal quando ela mostrou a garrafa de água e nos falou “Only Water!”. E eu fico tão feliz de ver que ela está bem. Eu sei que podem haver recaídas, mas ver tantos sorrisos da Amy e poder ouvir ela dizer ‘Only Water’ significou muito para mim. Li inúmeros textos criticando o fato de ela ter se atrapalhado com algumas letras (ahn... duas?) e dizendo que muitos saíram de lá insatisfeitos, mas ninguém dá crédito ao fato de ela estar tentando passar por cima dos vícios e de que ela estava lá dando o que podia para fazer um bom show depois de dois anos sem fazer turnês. E ela deu muito de si e foi lindo.  

Teve gente falando mal até de ela ter sentado no palco. Agora me digam: qual é o grande problema disso? Ela não pode querer se sentar um pouquinho? Penso que as pessoas se esquecem de que ela é um ser humano.

Houve uns “I Love You” soltos pela platéia, ela sorriu e disse “I Love you, too” e para mim isso também foi impagável, assim como todos os outros sorrisos que ela distribuiu ao longo do show. E daí que o show foi curto? E foi mesmo curto? Foram 15 músicas... não sei se chamo isso de curto. É claro que se a gente sabe 40, 50 músicas, vai parecer que 15 foram poucas, mas temos que admitir que é um número bom para um show de Festival.

Teve quem reclamasse que a Amy saiu duas vezes e nos deu dois sustos. E foram dois baita sustos, creiam-me. Só que quem já viu outros shows dela, mesmo que em DVD ou no youtube, sabe que ela faz isso.  E tivemos o Zalon  e o Heshima cantando para nós, o que foi um show à parte. Sem contar que foi muito legal também quando o Zalon estava cantando ‘Everybody here wants you’ e ela tomou o lugar dele do lado do Heshima e ficou dançando.

Os sustos até foram legais, de certa forma, porque quando ela voltou, todo mundo se empolgou ainda mais. Na volta do primeiro susto ela cantou Rehab e na volta do segundo susto (quando ela saiu com toda a banda e realmente parecia que o show tinha terminado) ela voltou e cantou “You’re wondering Now”, o que aconteceu no tempo perfeito visto que a música diz: You’re wondering now/what to do/now you know/this is the end e só faltava uma música para o show acabar. Foi triste quando ela disse que só podia cantar mais uma música (Valerie). Foi triste porque eu queria ter memorizado mais um pouco dela. Foi triste porque eu poderia ter passado a noite inteira lá ouvindo o que quer que ela decidisse cantar e me manteria deslumbrada pelo resto da noite com o fato de ela ser de verdade, de estar tão perto de mim, de estar tão bem e de eu poder ouvir a voz dela ao vivo.

Para mim, assim como para milhares de pessoas daquelas 12 mil que foram ao Summer Soul Festival de Florianópolis, o show da Amy foi emocionante e inesquecível.

Amy, amo você.

Acabei de pegar a set list em um site:

Just Friends
Back to Black
Tears Dry on their Own
Boulevard of Broken Dreams
Outside Looking In
Lovers Never Say Goodbye
Love is Blind
Love is a Loosing Game
Some Unholy War
Everybody Here Wants You 
(cantado pelo backing vocal Zalon)
What a Man Going to Do (cantado pelo backing vocal Zalon)
Rehab
Band Intro
I'm no Good

Me and Mr Jones
Bis
You're Wondering Now
Valerie

18 comentários:

  1. EU QUE GRITEI "I LOVE YOU"! +______+ Nossa, fiquei muito louco quando ela respondeu!

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  2. Ahhhhhhhhhh! Jura?
    Que demais! O grito foi bem pertinho de mim! eu fiquei tão boba quando ela respondeu! *.*
    Nossa, certeza que tu vais lembrar disso pra sempre!

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  3. haushausa, com certeza vou lembrar! eu sempre faço isso em shows, mas nunca tinham me respondido no microfone!

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  4. "Li inúmeros textos criticando o fato de ela ter se atrapalhado com algumas letras (ahn... duas?) e dizendo que muitos saíram de lá insatisfeitos, mas ninguém dá crédito ao fato de ela estar tentando passar por cima dos vícios e de que ela estava lá dando o que podia para fazer um bom show depois de dois anos sem fazer turnês. E ela deu muito de si e foi lindo." EXATAMENTE o que eu acho.

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  5. Eu fico tão braba com a falta de reconhecimento com relação às coisas boas que ela faz!
    Ninguém fala do esforço dela. Ninguém fala que ela tá tentando. Ninguém mostra como ela é uma pessoa amável e tal com quem ela é mais próxima.
    É muito fácil falar dos problemas dela e fazer de uma gota uma tempestade, mas ninguém sabe por todas as coisas ruins que ela passou pra chegar ao ponto que ela chegou. E mesmo assim ela tava lá ontem, linda e maravilhosa, com aquele vozeirão que a gente teve muita sorte de poder ter ouvido ao vivo.
    Eu estou explodindo de orgulho da Amy e tenho certeza que ela vai sair dessa turnê mostrando o quão capaz ela é de se manter bem e fazer bons shows.

    Amo tanto ela *.*

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  6. cara. da pra sentir lendo no texto tua emoção de ter visto o show dela. fico tão feliz por você, amiga. MUITO MUITO MUITO mesmo!!

    e cara. que coisa woooow o menino que gritou I love you ter visto teu post =O

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  7. Foi demais, Anninha!
    Demais.
    Sim, ainda estou chocada de o menino ter visto meu post! haha

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  8. menina, você estava na fila da pista vip? acho que ouvi contando essa história pra alguém! :0

    o show foi lindo mesmo ;) ela com suas imperfeições é perfeita. é uma fofa!

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  9. Adorei seu texto Dani.Parece um pouco comigo em partes

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  10. Kelly,

    eu estava na fila da pista comum mesmo.
    mas é bem capaz que hajam outras meninas com a mesma história que a minha, ou pelo menos parecida.

    ela é muito muito fofa. meu amor por ela foi elevado a enésima potência nesse show porque ver o jeitinho dela assim de perto foi muuuuuito lindo. *.*
    amo amo a amy.

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  11. Bih,

    obrigada pelo elogio. nossa, eu não imaginava mesmo que tanta gente fosse ler e gostar. *.*

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  12. Este comentário foi removido pelo autor.

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  13. estou sem palavras, essa foi a demonstração de amor entre uma fã e um ídolo mais lindo que eu já li na minha vida, lindo lindo lindo.

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  14. que fofa, natiii!
    obrigada *.*

    eu amo muito a amy. muito mesmo.

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  15. me arrependi de não ter ido >.<
    ela perece ser muito fofa pela descrição
    e eu adorei o vestido!

    nõa acho 15 músicas pouco pra um show, realmente.
    acho q no McFly foi isso tb.
    e ainda tem que se considerar que era um festival. 3 artistas para uma única noite.

    amei o texto!! sei como é ir no show de alguém que vc admira muito *-*
    bj!!

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  16. Olá! Espero poder assistir um show da Amy da próxima vez que ela passar por aqui! E SC nem era tão caro assim pra quem mora aqui no RS. Mas não deu tempo de se organizar!

    :)

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